Sérgio de Melo
Depois de um crescimento franco na década de 80 e com letras carregadas de temática social, o funk entrou no universo do crime e da maginalidade no fim dos anos 90. Diante da situação de domínio armado da grande marioria das favelas e comunidades carentes na época, formou-se um grande silêncio sobre o ritmo e compositores. O gênero continuou popular nas rádios comunitárias e piratas (algumas eram de controle das equipes de som) e agora tratam dos temas ligados aos grupos criminosos, como o Comando Vermelho, ADA e etc, servindo como inspiradores de combates entre traficantes e aviso sobre a troca de comando local, o funk falava principalmente sobre as drogas, as armas, os comandos, muitas vezes convocando moradores de favelas a participar de atos de violência ou pregando o extermínio de inimigos.
"Proibidões" exaltam as facções que comandam as favelas
O funk sofreu uma descaracterização, trazia músicas erotizadas e batidas mais rápidas. Para muitos especialistas no assunto, o atual funk carioca não pode ser chamado de funk: é apenas uma derivação do Miami Bass. Nessa nova fase desfigurada, o ritmo transformou-se em atração comercial de gravadoras e televisões que exploram e vulgarizam a imagem da mulher, Em 1999, após graves denúncias de violência e pornografia descontrolada nos bailes funks, a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro decidiu criar uma CPI apenas para investigar esse tipo de baile.
Embora, a comissão, tenha resultado em uma lei que regulamenta as festas, quase nada mudou. Mesmo assim, as denúncias, graves, geraram repercussão na sociedade e medo entre os pais e os freqüentadores das festas cariocas. Essa temática, caracterizada por músicas de letras sensuais, por vezes vulgares, que começou no final da década, ganhou força e teria seu principal momento ao longo dos anos 2000.
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