quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Funk movimenta mais de R$1 milhão por mês no Rio, diz estudo

Osmar Dantas
Por trás das batidas dançantes e das letras  provocativas, o funk se mostra um segmento da cultura e daindústria fonográfica bastante lucrativo. O movimento nasceu marginalizado nas comunidades cariocas, mas hoje o ritmo já é uma das trilhas sonoras do Rio de Janeiro. A importância cultural e econômica do movimento foi comprovada por uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas. Segundo o estudo "Configurações do Mercado do Funk no Rio de Janeiro", a cadeia produtiva do funk movimenta um valor superior a 1 milhão mensais no estado do Rio de Janeiro.
Jimmy Medeiros participou da pesquisa que mostrou a
importância financeira do funk. Foto: Divulgação/FGV
O estudo foi coordenado pelo FGV Opinião e pelo Núcleo de Pesquisa Social Aplicada CPDOC/FGV e mostra que a indústria do funk emprega cerca de 10 mil pessoas apenas na região metropolitana do Rio. A pesquisa foi baseada em entrevistas telefônicas entre os anos de 2007 e 2008 com agentes do funk, produtores, empresários, apresentadores de programas, DJ's, MC's, assistentes, técnicos de som e os camelôs que trabalham em torno dos bailes e no mapeamento deste banco de dados.

Segundo o pesquisador Jimmy Medeiros, o estudo nasceu da necessidade de conhecer essa cadeia produtiva e entender como o movimento se organizava como uma estrutura de mercado. De acordo com o estudo, o mercado do funk conta ainda com muitos traços de informalidade nas relações contratuais, porém existe o crescente desejo de profissionalização dos envolvidos. Os principais agentes vêem tentando montar organizações com o objetivo de criarem regras mais fixas e claras para os contratos e cachês, como as associações de DJs, de MCs e de Donos de Equipes.

Em 2009, a Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) aprovou um projeto de lei que define o funk como movimento cultural e musical de caráter popular e proíbe qualquer tipo de discriminação, sendo de autoria dos Deputados, Marcelo Freixo (Psol) e Vagner Montes (PDT).. A medida também visa garantir uma formalização dos profissionais do setor, estabelecendo regras entre relações de trabalho de MC's, Dj's e empresários.

- O estudo foi importante para apontar a necessidade de políticas públicas ao movimento e garantir a profissionalização, com a diminuição da informalização. Assim assegurando o cumprimento de contratos de trabalhos e pagamento de direitos trabalhistas. - Acredito que, no atual estágio da economia, o funk vai ter um crescimento, pela tendência do ramo seguir rumo a formalização, que é o que os profissionais estão buscando. - garante Jimmy Medeiros.

No mesmo ano, também foi revogada uma Lei que estabelecia regras para a realização de eventos de música eletrônica, como raves e bailes funk. De autoria do deputado cassado Álvaro Lins, ex-chefe de Polícia Civil, a lei, na prática, permite a proibição das festas. Jimmy Medeira acredita que essa proibição contribuiu para aumentar ainda o preconceito em relação ao gênero.

- Hoje o funk está presente em todas as classes. Essa relação que o funk tinha com a favela advêm justamente dessa proibição aos bailes e festas rave. Proibido, o funk só conseguiu ser realizado nas favelas, área livre de fiscalização. Com a lei do Marcelo Freixo de transformar o funk em movimento cultural se consegui reduzir a barreira que existia entre o funk e a festa rave. Num segundo momento, se extinguiu essa lei  e se conseguiu dar a verdadeira importância e dimensão ao movimento. - explica o pesquisador.

Ainda de acordo com o pesquisador, quem mais fatura nesse meio artístico são as equipes de som, seguido pelos MC's. O estudo também mostra uma reconfiguração cada vez maior no mercado do funk. Os MC’s começaram a conquistar um espaço próprio no cenário musical e passaram a ser vistos como artistas, por exemplo, com espaço para apresentações musicais em programas de TV.

Em relação aos tipo de bailes, o estudo faz dois tipo de classificações. A primeira categoria é formada pelos bailes de comunidades, que são aqueles realizados nas áreas de favelas do Rio de janeiro, como, por exemplo, praças, quadras esportivas e escolas de samba dentro de comunidade.

Esses bailes são importantes para aqueles profissionais que estão entrando neste mercado, por exemplo, MCs e DJs que querem cantar ou tocar pela primeira vez. Essas festas continuam a existir, porém vêm perdendo prestígio, devido ao crescente perigo representado pelo domínio do tráfico de drogas e das milícias.

A outra designação são os bailes de clubes, formada para qualificar toda festa em que o funk era o principal gênero executado e que são realizados fora das áreas das comunidades. Esses bailes realizados em clubes esportivos, quadras de esportes, boates, casas de show e similares, principalmente, na Zona Norte, subúrbio, Baixada Fluminense e Centro do Rio de Janeiro.

Representa um outro perfil, que atrai um outro tipo de público, chegando até a boates da Zona Sul, que tem noite dedicadas ao funk, por exemplo. Para serem realizados, são necessárias uma série de autorizações e documentos que são emitidos por órgãos públicos, como o Corpo de bombeiros, a Polícia e o Juizado de Menores.

Ainda segundo o pesquisador, os resultados obtidos com a pesquisa tão animadores quanto ao objetivo inicial de mapear o movimento cultura no estado que o estudo que agora vai se transformar em um livro.

-Pretendo fazer outra pesquisa para entender ainda mais o universo de Dj's e Mc's e a relação que o funk tem com o conjunto da população. Posteriormente, pretendo lançar outros artigos sobre o tema e futuramente, juntar mais material para lançar um livro.

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