quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O funk na elite carioca

Tiago de Andrade
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O funk carioca, a partir do ano de 2000, tornou-se ritmo padrão na programação das casas noturnas, nas rádios e até na televisão, alcançado assim público de diferentes camadas sociais e de diversas áreas do Rio de Janeiro, diminuindo a idéia difundida na sociedade de que todo “funkeiro” é marginal. Mas, apesar dessa adesão ao ritmo, ainda é visto como música de preto e favelado, na opinião de Rogério Trindade, 37 anos, morador da zona sul do Rio de Janeiro e freqüentador veterano dos bailes funks.

Funk é rompe barreiras e é capaz de atrair moradores de bairros tradicionais, como Lagoa. Foto: Funk e Cia

- Apesar de ter se espalhado, o funk ainda sofre perseguição e preconceito, e é considerado som de preto e de quem mora em favela, que é de onde vem a maioria dos negros do Rio de Janeiro.

A pergunta que rotineiramente é feita e, a princípio, sem explicação é porque o funk atrai tanta gente? Para Rogério, a fácil aceitação do funk tem como um dos motivos o “contágio” do ritmo e a simplicidade da dança.

 - Acredito que o poder de atração do funk está nas batidas, no ritmo e na forma simples de dançar que contagia todo mundo. Aproveitando o antigo ditado, que atire a primeira pedra aquele que nunca dançou funk.

A expansão do funk pela zona sul carioca é objeto de estudo por muitos sociólogos e acadêmicos que estudam o comportamento das classes sociais.  O tema começou a ser explorado de forma mais profunda a partir da repetição constante de notícias que retratavam os jovens da elite carioca freqüentando bailes de funk nas comunidades e o envolvimento de meninas de alto poder aquisitivo com bandidos que gerenciavam o tráfico e que eram procurados pelas autoridades policiais do Estado.

Para Rogério, que acompanhou de perto toda essa ascensão do funk no cenário do Rio, o consumo de drogas e bebidas e a ostentação de poder dos traficantes é o que atrai a “playboyzada” para os morros.

- Os bailes de comunidade são financiados pelo tráfico e a playboyzada começou a freqüentar em razão das drogas liberadas, bebidas e exposição de armas de fogo. Os jovens da alta sociedade acham fascinante observar o poder de fogo do poder paralelo e seus funks proibidos de intimidação ao governo.

Em conjunto com essa expansão pela cidade, outra corrente do funk ganhava espaço, conhecido como “proibidão”, com temas vinculados ao tráfico, apologia ao crime, à violência e ao consumo de drogas, e atualmente somada às letras erotizadas se tornaram mais populares do que os funks melódicos e românticos tradicionais, que ficaram conhecidos na voz de cantores como Mc Marcinho e Buchecha. Em razão destas letras vulgares e politicamente incorretas que o funk é visto por outra parte da população, de faixa etária acima dos 30 anos, como um mal para a sociedade.

Apesar de ser alvo de tanta polêmica, o funk é um ritmo que traz alegria e diversão principalmente para as crianças, enfim no Rio de Janeiro tudo acaba em funk.

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