Osmar Dantas
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Gringos dançam até o chão em baile no Clube Monte Líbano, na Zona Sul do Rio. Foto: Eduarado Naddar (O Globo). |
O funk carioca é um exemplo de ritmo musical que nasceu nas periferias e sofreu muitos preconceitos até atingir outros meios, como o rádio e a televisão, ganhar público e ser reconhecido como movimento cultural, o que faz o movimento ganhar cada vez mais adeptos no Rio de Janeiro e em outras cidades do país. Depois de conquistar o asfalto, não é que agora o movimento está expandindo para as áreas nobres da cidade, como em casas noturnas da Zona Sul e Barra da Tijuca. Antes de ser valorizado, ritmos como o blues, o samba, o jazz e o rock também foram marginalizados e passaram por uma trajetória parecida com a do funk.
Durante muitos anos, o funk sofreu com a invisibilidade, no sentido de que muitos ignoravam sua existência, assim como muitos que levantam os vidros dos carros ao ver um menos de idade fazendo malabarismos no sinal. Mas parece que agora o ritmo se transformou numa crista da onda. Algumas das principais boates e casas de show da região nobre do Rio dedicam noite exclusivas ao ritmo.
O Dj Malboro é um dos nome mais respeitados da cena carioca e, desde que foi convidado a participar do Tim Festival, o funk agora ocupa lugar de destaque na Zona Sul da cidade. Malboro é capaz de lotar um das mais tradicionais casas de shows do Rio, o Scala, no Leblon, e também o clube Monte Líbano, na Lagoa, misturado com electro e hip hop. Hoje, o DJ frequentemente se apresenta fora do Rio, como no carnaval de Salvador e em vários locais do mundo, como Portugal e Alemanha. Outros precursoeres e músicos do movimento estão seguindo a mesma trilha, com a tati Quebra Barraco, que também vem destonado fora do país e tem cadeira cativa no no moderno clube Fosfobox, em Copacabana.
Com um olhar para o fururo, o ex-jogador de futebol e comentarista da rede Bandeirantes Edmundo está negociando a entrada no mercado da noite carioca e empreendendo uma boate na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de janeiro, especializada em atender os apreciadores do funk. Nessa região da cidade, que vem sofrendo grande crescimento e valorização, já funciona a todo vapor o Espaço Barra Show, casa de espetáculos em geral, mas que reserva algumas noites para os amantes das batidas eletrônicas.
Furacão 2000: o exemplo que deu certo
A maior promotora de bailes e detentora melhores equipes de som é a Furacão 2000, com larga vantagem sobre os concorrentes. Os bailes da gravadora de Rômulo Costa se fortaleceu junto com a inserção do funk no cenário musical. Com mais de 35 anos de existência, a equipe de som é uma das que mais atrai o público jovem no estado do Rio de Janeiro. Hoje a Furacão 2000 conta com um programa de TV diário, transmitido de segunda a sexta, em um espaço alugado na programação da rede Bandeirantes; uma rádio própria, a 107.1 FM, que tem programação funk 24 horas por dia, além de um programa na rádio FM O Dia (100,5 Mhz), que é líder de audiência no horário do dial carioca.
O empresário Rômulo Costa, ao lado de sua esposa, Priscila Nocetti, são encarregados, além de comandar a organização e apresentarem os programas de tv e rádio, animam os mais de 40 bailes que a Furacão 2000 realiza por semana, atraindo um púbico de mais de 50 mil jovens. E a expansão dos negócios já atingiu outras partes do Brasil,com shows realizados em São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, Brasília, Recife e Fortaleza. Rômulo Costa atribiu o sucesso do seus empreendimento à ascensão do próprio funk:
- O funk é o verdadeiro ritmo carioca. Aqui tudo acaba em funk. Toca funk em festas de aniversário, casamento, baile de formatura e não tem distinção de classe social. Aconteceu assim como diz aquela música: É som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado. E fomos pioneiros em tudo no movimento do funk, assim como os primeiros bailes e os primeiros programas de rádio, conquistando a preferência dos jovens - explica o empresário.
Conheça um pouco mais sobre a carreira de Rômulo Costa
A solidez da empresa pode ser comprovada no mercado fonográfico, em que consegue um sucesso de vendas há decadas. A Furação 2000 possui uma dezena de discos e DVD's gravados e é responsável por lançar diversos artistas no mercado. Foi através da aparição nestes DVD's que o Brasil ficou conhecendo, por exemplo, o MC Créu, os Hawaianos, Jonathan Costa, Menor do Chapa e a Gaiola das Popozudas. Para o atual secretário de Cultura de Belford Roxo, Rômulo Costa a empresa é um dos caminhos para se alcançar sucesso nesse meio:
- É um mercado muito terceirizado, onde a maioria é autônomo. Passar pela Furacão 2000 e, sem dúvidas, uma trajetória importantes dos Mc's para ser chegar ao estrelato.
O pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, Jimmy Medeiros, que fez uma pesquisa sobre a cadeia produtiva do funk no Rio (hiperlink para primeira matéria da editoria), verificou que a importância econômica da Furacão 2000 no cenário musical:
- Eles (a Furação 2000) são uma das maiores equipes do som e as que mais lucram com o funk Rio de Janeiro. Muito dessa liderança se deve a organização da empresa, especialmente no que se refere ao pagamento das cachês e no cumprimento das regras contratuais. Sem dúvida, a Furação 2000 é uma exemplo de que, com a formalização, o mercado pode expandir e alcançar voos cada vez mais altos - destaca.
Governo do estado libera verba para investimentos no Funk
De olho na expansão e valorirazão do funk, o Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, anunciou um investimento para o setor em agosto deste ano. A Secretaria de Estado de Cultura lançou um pacote de editais no valor de mais de R$ 40,9 milhões de reias para a cultura, destinados a projetos entre 20111 e 2012. O pacote representa um aumento de 440% em comparação a 2008, quando a Secretaria começou sua política de editais. Desse total, cerca de R$500 mil reias serão destinados ao desenvolvimento do funk nas periferias e áreas populares. É a primeiras vez que o Governo vai contemplar o movimento com os editais para cultura.
A chamada pública para Criação Artística no Funk vai dar à juventude a oportunidade de produzir videoclipes, músicas, CD's e projetos de culturais como literatura e a produção de documentários sobre o gênero. A verba vai beneficiar equipes de som, DJ’s, MC’s, dançarinos, grupos, bondes, educadores e comunicadores que contribuam para a valorização do gênero enquanto expressão cultural urbana e plural no Rio de Janeiro. Os editias vão beneficiar 25 entidades selecionadas com cerca de R$ 20 mil em cada projeto.
O pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Jimmy Medeiros, que fez uma pesquisa sobre a cadeia produtiva do funk no Rio, considera o investimento no movimento como um reconhecimento cultural e contribui para a desenvolvimento artístico do ritmo no estado:
- Esse investimento é importante, pois representa uma primeira política pública voltada para o setor. Os Estados (Governos) estão começando a entender que essa manisfestação precisa de uma formalização dos profissionais e recursos públicos para o aprimoramanto do movimento, justamente por ser um dos ritmos que tem a cara do Rio de Janeiro. É uma uma conquista para o movimento e os profissionais envolvidos.
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