Osmar Dantas
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Depois de ganhar espaço junto a um público de mais de três milhões de pessoas, um dos principais objetivos dos profissionais do funk é sair da informalidade. Uma iniciativa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) está ajudando os profissionais da categoria, como músicos, eletricistas, Mc's, Dj's, entre outros, a se tornarem empreendedores individuais.
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MC Leonardo vibra com facilidade para formalização dos profissionais do funk. Foto: Divulgação/Funk Brasil |
Recentemente, técnicos da entidade se reuniram com cerca de 20 lideranças da Associação de Profissionais e Amigos do Funk (Apa Funk) e assessorou os profissionais sobre as vantagens da formalização, prestando informações sobre estratégias para facilitar a expansão dos seus negócios. O Sebrae/RJ também está oferecendo um curso para que os funkeiros saibam as obrigações que terão que cumprir e como deverão gerir o empreendimento.
A importância econômica do funk para o Rio é tamanha que, segundo pesquisa da FGV, a cadeia produtiva do ritmo movimenta cerca de R$ 12 milhões por mês e ocupa 10 mil profissionais somente na Região metropolitana do Rio de Janeiro.Para auxiliar nesse processo de legalização, o SEBRAE/RJ lançou uma cartilha sobre empreendedorismo individual com o objetivo de auxiliar os profissionais a otimizar o processo produtivo e, conseqüentemente, aumentar o faturamento. Pelo documento, ainda é possível encontrar informações sobre os benefícios fiscais de se registrar como empreendedor individual e as regras para ingressar no sistema.
O presidente da Apa Funk, Leonardo Pereira Motta, o MC Leonardo, considera o funk um ritmo que precisa ser valorizado:
- O funk é um movimento cultural que precisa estar no topo e ser respeitado - prega o músico.
Segundo a coordenadora do Programa de Desenvolvimento do Empreendedorismo em Comunidades Pacificadas do Sebrae-RJ, Carla Teixeira, embora os donos de equipamentos de som, os DJs e os MCs sejam a parte mais visível de um baile, nos bastidores, existem dezenas de outras profissionais que se beneficiam da atividade, como dançarinos, operadores de som e luz, eletricistas, pintores de faixas, cabeleireiros, donos de bar, motoristas, quase todos na informalidade.
- O setor é muito informal e sofre preconceito com isso. A formalização vai aumentar a autoestima de quem trabalha com funk, já que eles poderão oferecer seus serviços para grandes empresas e ter acesso a linhas de crédito - explica.
Inseridos na categoria de empreendedor individual, esses profissionais passam a ter registro gratuito no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), o que permite o pequeno empresário a emitir nota fiscal, oferecer serviços para grandes empresas, comprar material diretamente de grandes fornecedores, evitando os atravessadores, e ter acesso a linhas de crédito diferenciadas.
Além disso, os trabalhadores autônomos estão isentos do pagamento de tributos federais, como Imposto de Renda e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), e também passam a ter direito a benefícios previdenciários, como aposentadoria. A formalização terá um custo que varia entre R$27 e R$33 por mês em impostos e, pelas regras do sistema, mais de 400 atividades econômicas estão contempladas pela medida.
Segundo MC Leonardo, ter acesso à Previdência Social é uma evolução significativa para os profissionais que trabalham com o funk, pois grande parte das pessoas que vivem do funk não tem nenhuma segurança financeira ou social.
- Muitos se acidentam e ficam em casa sem ganhar nada. Com a Previdência, isso muda, ressalta o MC Leonardo.
Só podem contar com esses benefícios os empreendedores individuais que faturam até R$ 36 mil por ano. Caso o ultrapasse esse faturamento, o empreeendedor passa a se enquadrar na condição de Microempresa e deverá cumprir novas obrigações do Simples Nacional. Para obter mais informações, basta acessar o Portal do Empreendedor http://www.portaldoempreendedor.gov.br/) e no Sebrae, que presta assessoria gratuita através do telefone 0800 570 0800.
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